quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

A Certeza da Incerteza

A interiorização à alma e a (de)cadência do pensamento ofuscam-nos a vida.

Prendem-nos e nos dispersão....Dão-nos as certezas e seguidamente as roubam com o requinte de malvadez que se tira um doce a uma criancinha....Perde-mo-nos nas certezas dos espaços das incertezas. Indicamo-nos um sentido que depressa se desorienta, no que já não parece mais estar certo...Tudo num segundo,num instante, num ápice que foram décadas de pensamento...E tudo volta ao nada que parecia certo em absoluto e tudo volta ao questionamento de tudo, ao principio de uma nova escada da espiral...

Ficamos suspensos no Universo entre átomos e Platões...Caímos no vazio da incerteza, onde nada é certo e como tal, nada é errado também. Não conseguimos sair do lugar e suspende-mo-nos submersos na queda de um abismo colossal que não tem fim, onde outras vidas passam por nós num turbilhão que não conseguimos acompanhar, porque, talvez também, não as queiramos seguir. Falta-nos a força e a vontade, não sabemos onde queremos chegar, pois não conseguimos vislumbrar aquilo que está tão longe e tão fundo; nem a nossa bússola sabe apontar direcções porque não consegue parar de girar para todas as hipóteses que nos surgem.

O primeiro passo pesa-nos porque depois dele não conseguimos mais voltar atrás, pois é ele o princípio de um novo caminho que desconhecemos em que deixamos de ser o mesmo consoante a direcção que esse apontar...

domingo, 14 de dezembro de 2008

... Dou por mim perdida entre as horas e os minutos que me escapam...por entre tarefas inúteis que me distraem da minha existência... Não consigo reconhecer a minha essência e tenho dificuldades em abraçar o que me quero destinar. Acabo sempre por perder-me em desvios, porque sempre me distraio do que estou à procura... Não sei...não sei o que quero,não sei o que procuro, não sei onde me encontrar, nem o que sou... Só sei que quero mais! Quero sentir-me inteira e completa, quero sentir-me parte deste esquema universal onde encarcerada mente nos inserimos!... Perco-me em amores que nunca foram os meus e esbato-me de cada vez por entre as cores que sonhei...mas que nunca cheguei a ver... Percebo então, que talvez estes amores que sinto por dispersos alguém não sejam a minha paixão eterna, mas apenas a ilusão do meu amor pelos Homens!...Então amo cada pedacinho da sua magia, encontrado em vários pedaços que constituem o que amo neles...num sorriso, numa criação, numa palavra, num gesto, numa cor... E todo esse amor, apareçe tão facilmente, talvez para compensar o ódio que sinto pelos Homens, que não consigo deixar de sentir, porque não consigo deixar de ver, nem de ouvir, nem tão pouco consigo isolar-me!Compenso o meu ódio amando a muitos e não amando a nenhum, porque nenhum me escolheu para si! Porque preferem adorar-me de longe por ser quem sou...ou odiar-me de perto por ser quem não fui... Assim me perco daquilo que há em mim e me esqueço do que me prometo ser e dou por mim perdida...