sexta-feira, 24 de abril de 2009

Ao pé do equador

Aqui me encontro de coração aberto e alma a preencher, à espera...
Esperando que algo entre e me preencha e me embale o coração
E me faça sentir una e que pare a dispersão
E que me bata o coração,
porque quer, porque precisa, porque sente,
mas não tem como sentir,
nem a nada que esperar
E se perde sem direcção a apontar
E se estica e se encolhe à medida que vê o amor passar,
mas roja por mim a dentro sem ter rio onde passar,
nem mar onde desaguar.
Não se sabe orientar, nem tão pouco amainar,
vive em voos a divagar,
por paradeiros incertos nos quais vai posando,
um pouco para descansar,
para ter a certeza que ainda lá está e que bomba e que respira,
não arrefece nunca, nem se premite congelar,
porque mora bem ao pé do equador onde não há gelo,
há calor e tufões e tempestades que se geram por cada vez que arrisca
E assim se retraí um pouco,
de cada vez que se empresta por um pouco
e se magoa mais um pouco, para de novo se cozer o estofo
E remendado vai ficando
do tanto que se vai usando!

terça-feira, 21 de abril de 2009

Que tempo é este que sinto,
que não posso tocar, que só posso pensar,
que só posso ser quando já não sou,
que só vejo num momento que já passou,
que não se guarda nunca,
que não se apanha nunca, apenas persegue,
que se morre do que se corre,
de tanto tentar, de se insistir acompanhar
e então já não se corre, só se morre
aos poucos, um pouco de cada vez, por cada vez
que esse tempo passa,
fazendo a nossa vida passar,
deixando-a suspensa a contar
e que por mais que lenta ainda corre,
porque sempre se corre,
porque não nos deixam parar nunca
fazendo-nos sentir a angústia,
a angústia de estar preso
na barreira que nos vemos a formar,
da qual nunca nos poderemos apartar,
porque só morrendo é que se pode parar,
mas tudo o resto continua nesse tempo,
que se para-se já não o seria
e já nem eu saberia, o que então poderia ser.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Todos...

Todos vemos, todos ouvimos, todos sentimos...Todos vestindo diferentes a nossa pele por igual, manifestando-nos em actividades comuns, que já nem percebemos porque executamos, mas que existem para nos sentirmos parte de algo, para nos sentirmos integrados e assim vestimos as nossas máscaras que nos cobrem a ignorância e revelam a estupidez do desespero. Do desespero que nos consume, porque queremos passar além, porque queremos ser mais aos olhos de todos, porque queremos mostrar a perfeição que nunca vai existir em nós!Na nossa ilusão achamos que compreendemos o que se passa dentro de nós, mas mais que isso, achamos que entendemos bem os outros, tirando juízos de todos os actos por eles executados, achando que a nossa posição estaria de certo mais certa do que a que vemos ser tomada à nossa frente. Cedemos pois, facilmente aos nossos caprichos, ignorando o direito que os outros têm de os ter. Iludimos-nos em sentimentos frágeis, que criamos para preencher o nosso ego, na esperança de que haja alguém mais que nos ame, para além de nós próprios e quando acordamos percebemos que jogámos e bem um jogo, que nos distraiu e enganou, que nos ensinou uma vez mais a não jogar por capricho...