Aqui me encontro de coração aberto e alma a preencher, à espera...
Esperando que algo entre e me preencha e me embale o coração
E me faça sentir una e que pare a dispersão
E que me bata o coração,
porque quer, porque precisa, porque sente,
mas não tem como sentir,
nem a nada que esperar
E se perde sem direcção a apontar
E se estica e se encolhe à medida que vê o amor passar,
mas roja por mim a dentro sem ter rio onde passar,
nem mar onde desaguar.
Não se sabe orientar, nem tão pouco amainar,
vive em voos a divagar,
por paradeiros incertos nos quais vai posando,
um pouco para descansar,
para ter a certeza que ainda lá está e que bomba e que respira,
não arrefece nunca, nem se premite congelar,
porque mora bem ao pé do equador onde não há gelo,
há calor e tufões e tempestades que se geram por cada vez que arrisca
E assim se retraí um pouco,
de cada vez que se empresta por um pouco
e se magoa mais um pouco, para de novo se cozer o estofo
E remendado vai ficando
do tanto que se vai usando!