quarta-feira, 13 de maio de 2009

É difícil dizer o que penso, pois o que penso se constrói e destrói ao ser dito.
Constrói-se porque se transforma, destrói-se porque se refaz e se reforma.
Ao ser dito deixa de ser o que pensei e passa a ser o que disse, já não é mais o mesmo, porque é dito, pois nunca o é expresso da mesma forma que o foi pensado. E já não soa ao mesmo e já não soa a nada!
Penso mas não digo e quando digo já não é mais o que penso.
Os pensamentos que escapam por entre o que foi dito, nunca serão falados, porque jamais voltarei a pensá-los do mesmo modo. Embora guarde o valor do que significaram, apenas existiram por breves segundos e foi nesse tempo que se perderam para sempre, onde nunca os voltarei a encontrar. Poderei recordá-los, sim, mas jamais serão os mesmos, pois as condições de tempo e espaço em que se formaram jamais voltaram a existir, nunca mais serão sentidos e compreendidos da mesma forma. As palavras ficaram dispersas naquele tempo e as ideias reformular-se-ão noutro tempo, de outro modo, noutro lugar qualquer...
Foi-se o momento, perdeu-se o pensamento, ficou só a névoa da sua recordação...

O Sentimento

Dói-me por achar que já não sei sentir!... Sei demais para poder sentir,só! Penso demais, para que possa ser simplesmente sensitivo. Penso demais, para que posso senti-lo emotivo!...para que possa existir inocente, para que possa ser puro, para que seja límpido e calmo d'água. Transforma-se, aos poucos num lago de águas turvas e escuras, reflectindo um céu, que não se destinge; por o que não se consegue definir... Perde-se pelo pensamento, abandona-se do sentimento, deixa-se de dizer, por não se conseguir distinguir...Já não pode mais ser simples, depois de ter sido minuciosamente experimentado, estudado, dissecado, adulterado! Deixa de ser fácil, perde-se por ter dificuldades em ser sincero, por já não haver certezas do que é, porque no fundo já não sou só eu (sou eu e os outros que existem mim)...

A ignorância do que se é!

Vejo-te assim...sereno
e ao ver-te, vem a mim
a dor da beleza de todas as coisas!
A simplicidade da dor...
A carícia do sofrimento...
A vontade de ser e não ter...
A vontade de fazer e não acontecer...
A tristeza do sonho que foi destruído
A divagação que não pára nunca,
a flutuação no vazio que não cessa...
A caminhada de sempre,
para o que não existe nunca!
O caminho às escuras
que se estende à minha frente...
As mentiras que a mim digo,
para me iludir docemente!
A prisão de não poder criar!
O desespero de à espera ficar ,
de alguma corrente,
que nos mude o ar!
A tristeza de viver na inimportância!
A infelicidade de viver na ignorância
de não saber como ser, nem quem se é....