É difícil dizer o que penso, pois o que penso se constrói e destrói ao ser dito.
Constrói-se porque se transforma, destrói-se porque se refaz e se reforma.
Ao ser dito deixa de ser o que pensei e passa a ser o que disse, já não é mais o mesmo, porque é dito, pois nunca o é expresso da mesma forma que o foi pensado. E já não soa ao mesmo e já não soa a nada!
Penso mas não digo e quando digo já não é mais o que penso.
Os pensamentos que escapam por entre o que foi dito, nunca serão falados, porque jamais voltarei a pensá-los do mesmo modo. Embora guarde o valor do que significaram, apenas existiram por breves segundos e foi nesse tempo que se perderam para sempre, onde nunca os voltarei a encontrar. Poderei recordá-los, sim, mas jamais serão os mesmos, pois as condições de tempo e espaço em que se formaram jamais voltaram a existir, nunca mais serão sentidos e compreendidos da mesma forma. As palavras ficaram dispersas naquele tempo e as ideias reformular-se-ão noutro tempo, de outro modo, noutro lugar qualquer...
Foi-se o momento, perdeu-se o pensamento, ficou só a névoa da sua recordação...